Quando se fala em empresas familiares, destacam-se temas como sucessão, preparação da próxima geração e conflitos entre gerações. É aquela história dos herdeiros empurrando a porta para aumentar suas responsabilidades na empresa e a geração atual que “não larga o osso”.

A Pandemia da COVID-19 oferece uma oportunidade ímpar de tratar essas questões de maneira positiva, visando a preparar as novas gerações para assumir posições de maior impacto nos negócios da família. A crise sanitária trouxe a crise econômica. As empresas estão se vendo diante do imenso desafio da sobrevivência. Quantos negócios viram seu faturamento ir a zero do dia para a noite?

Após a pandemia, o mundo terá mudado e continuará mudando. É ingênuo acreditar que as empresas obterão os mesmos resultados fazendo o que sempre fizeram. Uma nova ordem está se instaurando, baseada em novos modelos de negócios e tecnologias disruptivas. Nesse cenário, a transformação digital das empresas é uma questão urgente. Este é o momento ideal para que a nova geração ganhe relevância e assuma um protagonismo nessa transformação, baseado na sua expertise no mundo digital.

Os jovens possuem habilidades e competências que as gerações anteriores não desenvolveram ou têm maiores dificuldades de desenvolver. Possuem capacidade de realizar múltiplas tarefas e não se intimidam ante os desafios da tecnologia da informação e da comunicação. Pelo contrário, sentem-se atraídos e confortáveis em experimentar novas possibilidades digitais. Grande parte das tendências em artes, esportes, moda, tecnologia, comércio eletrônico, marketing, entre outros já são ditadas pelos jovens.

A facilidade em lidar com as novas tecnologias e se adaptar às mudanças que estão ocorrendo no mundo é um ativo que não pode ser desperdiçado pela família empresária e este é o momento ideal de fazer bom uso dele, quando a crise exige respostas rápidas e capacidade da empresa de se reinventar completamente e aproveitar as oportunidades trazidas pela nova ordem.

Obviamente, a desenvoltura tecnológica, por si só, não assegura uma nova geração pronta para substituir a geração incumbente, mas nunca foi tão premente a necessidade de ambas as gerações trabalharem juntas para o futuro da empresa familiar. E é a possibilidade de trabalharem em conjunto, mas com clara definição de papéis e responsabilidades, que permitirá que a nova geração seja preparada nos demais atributos técnicos e comportamentais necessários e a atual ganhe confiança para enfim “passar o bastão”.

Artigo escrito por Adriano Salvi, Sócio Fundador da UTZ, publicado no Jornal A Gazeta, no dia 30 de maio de 2020.

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